O percurso do Guilherme Cardoso no remo iniciou-se em 2022, num período marcado por mudanças profundas na vida de muitos jovens. A pandemia e o isolamento acabaram por provocar uma grande desmotivação em relação ao futebol, modalidade que praticava até então. A esta realidade juntou-se a necessidade de cuidar da saúde, uma vez que tinha colesterol alto, o que levou os pais a incentivarem-no a escolher uma nova prática desportiva. Entre o remo e a natação, a decisão foi clara — e hoje não tem dúvidas quanto a essa escolha: “Felizmente escolhi o remo.”











A primeira visita ao Grupo Desportivo Ferroviários do Barreiro foi vivida com curiosidade. O Guilherme nunca tinha ouvido falar de remo e tudo lhe era desconhecido, mas rapidamente algo o marcou de forma positiva. Mais do que as instalações ou a modalidade em si, foi o ambiente do clube que o conquistou desde o primeiro momento, criando uma sensação de acolhimento que viria a ser determinante para a sua integração.






Esse sentimento reforçou-se quando teve a oportunidade de remar no rio pela primeira vez. O contacto com a água e com a dinâmica própria da modalidade proporcionaram-lhe uma experiência única, que descreve de forma simples, mas muito expressiva: “Senti uma calma que adorei.” Uma sensação que muitos remadores reconhecem como um dos maiores encantos do remo e que, no seu caso, ajudou a consolidar a ligação à modalidade.







Hoje, com apenas 13 anos, o Guilherme identifica claramente aquilo que mais valoriza no remo e no ambiente do GDFB. Destaca o convívio vivido diariamente no clube, a amizade entre colegas e, ao mesmo tempo, a responsabilidade associada ao treino e à exigência de trabalhar para alcançar bons resultados. Para ele, o remo não é apenas um espaço de lazer, mas também um compromisso que exige dedicação, esforço e foco.
Ao longo do seu ainda jovem percurso, já alcançou resultados que o marcaram de forma especial. Um dos momentos de maior orgulho foi no Inter-Associações de 2024/25. Antes da prova, enfrentou comentários depreciativos por parte de uma embarcação adversária, que gozou com ele e com os seus parceiros de embarcação, referindo a sua estatura e outras características. No entanto, o resultado final acabou por ser a melhor resposta possível: a sua embarcação terminou melhor classificada do que a dos adversários. Outro momento marcante foi no Campeonato Nacional de 2023/24, onde, depois de várias provas em que uma determinada embarcação ficava sempre à frente, conseguiu, com o seu parceiro de equipa, alcançar o segundo lugar, ultrapassando finalmente esses adversários diretos.







Nem todas as experiências foram fáceis, e o Guilherme reconhece isso com maturidade. A prova mais difícil em que participou até agora foi a 3.ª Regata das Primeiras Remadas de 2023, em formato de duatlo. Apesar de ter terminado em segundo lugar, foi uma prova exigente que lhe trouxe uma aprendizagem fundamental: percebeu que não podia dar tudo no início e que a gestão do esforço ao longo da prova é decisiva. Enquanto muitos adversários acabaram por “rebentar” cedo, conseguiu fazer a prova de trás para a frente, retirando daí uma lição que certamente o acompanhará no futuro.
Quando fala sobre remar em equipa e remar sozinho, o Guilherme não estabelece uma preferência absoluta. Valoriza ambas as experiências, reconhecendo que remar sozinho é importante para espairecer e ganhar concentração, enquanto remar em equipa permite partilhar o esforço, a motivação e o convívio com os amigos.




No quotidiano, consegue conciliar a escola, os treinos e o descanso de forma organizada. Para ele, essa gestão é simples, uma vez que estuda antes e depois dos treinos, mostrando desde cedo sentido de responsabilidade e capacidade de organização.
Aquilo que começou como uma recomendação médica transformou-se, entretanto, numa parte essencial da sua vida. Hoje, o remo é um desporto onde se diverte muito e, ao mesmo tempo, mantém a forma física. Ao longo deste percurso, reconhece a importância dos seus treinadores, Guilherme Carriço e João Fernandes, que o inspiram e com quem aprende continuamente, beneficiando da experiência que ambos partilham consigo.

















Quando pensa no futuro, o Guilherme não fala em sonhos vagos ou distantes. Tem um objetivo concreto e bem definido: ser campeão nacional nos próximos anos. Uma ambição que reflete não apenas os resultados já alcançados, mas também a atitude, a aprendizagem e a maturidade que tem vindo a demonstrar dentro e fora de água.







A terminar, deixa uma mensagem simples, direta e genuína a outros jovens da sua idade que possam estar a pensar experimentar o remo: “Vai em frente, experimenta porque é uma experiência muito fixe e o ambiente é espetacular.”
O percurso de Guilherme Cardoso revela muito mais do que resultados desportivos. Demonstra maturidade, capacidade de aprendizagem, espírito de equipa e uma atitude exemplar perante o treino e a competição. Com apenas 13 anos, evidencia valores fundamentais do remo — compromisso, resiliência e respeito — que fazem dele um atleta promissor e um orgulho para o Grupo Desportivo Ferroviários do Barreiro. O futuro constrói-se passo a passo, e o nosso “Mini-Gui” já mostrou que sabe remar com determinação no rumo certo.



